segunda-feira, 14 de maio de 2012

Os Dogmas de Maria

    A palavra dogma é usada na Igreja para referir-se às declarações explícitas de algumas verdades de fé. Na sua etimologia, esta palavra vem do termo grego Dokeo e remete ao termo “decisão”. Assim sendo, relaciona-se na Igreja com uma “decisão” tomada por ela diante de uma controvérsia sobre determinado assunto de fé. Principalmente nos primeiros séculos da Igreja foi preciso que o magistério (os que são responsáveis por velar pelas verdades de fé - os bispos e o papa) declarasse explicitamente alguns dogmas diante das dúvidas que surgiram sobre as verdades de fé.

    Na verdade, a declaração explícita do dogma é somente para confirmar o que já está implícito na fé da comunidade. Podemos dizer então que o dogma já existe mesmo antes de ele ser proclamado explicitamente. Os dogmas são verdades de fé imutáveis que, uma vez proclamados, não podem ser contestados. Quem se opõe a uma verdade de fé proclamada explicitamente é considerado um herege, ou seja, um opositor à verdade revelada. Dessa forma, o dogma se revela como um “caminho” seguro pelo qual os cristãos podem trilhar as vias do Céu.

    Para declarar um dogma, a Igreja utiliza dos dados da Escritura Sagrada e da Tradição, ou seja, da bíblia e do que a comunidade vai professando como verdade de fé na sua vivência diária. Dos muitos dogmas que a Igreja já declarou, principalmente no início da Igreja, quatro são de Maria. Os dogmas de Nossa Senhora declarado pela Igreja são estes: a Maternidade divina de Maria; a Virgindade de Maria; a Imaculada Conceição de Maria; a Assunção de Maria.

    O dogma da Maternidade divina revela que Maria é Mãe de Deus. Este dogma foi proclamado no ano de 431 no concílio de Éfeso, (uma cidade da Ásia Menor). Diante de algumas contestações, as quais diziam que Maria era Mãe apenas do Jesus-Homem e não de Jesus-Deus, o concílio afirmou que Maria é mãe de Jesus-Deus e de Jesus-Homem. A explicação é a de que Jesus tem duas naturezas, a humana e a divina, ambas unidas, mas não confundidas ou misturadas. Assim, sendo Maria Mãe de Jesus, humano e divino, é também Mãe de Deus. A solenidade de Maria Mãe de Deus é celebrada no dia 1 de Janeiro.

    Pelo dogma da Virgindade de Maria afirmamos que Maria é sempre virgem. Ela foi virgem antes do parto, durante o parto e depois do parto. O dogma da virgindade de Maria se afirmou Junto com a Maternidade de Maria, também se afirmou no concílio de Éfeso. Esta era uma verdade que já vinha sendo afirmada muito tempo antes pelos santos padres (os padres e bispos dos primeiros séculos da Igreja). Este dogma está muito ligado com o Maternidade divina; foi sendo afirmado como verdade sendo mais claro o pronunciamento do sínodo de Latrão (649). Este dogma consiste em considerar de forma singular a maternidade de Maria, pois ela não foi mãe só de Jesus-Homem, mas de Jesus enquanto humano e divino. A festa da natividade de Maria é celebrada no dia 8 de setembro.

    O dogma da Imaculada Conceição de Maria afirma que ela é concebida sem pecado. Imaculada significa “sem mancha”, sem pecado; conceição significa que ela foi concebida, ou seja, nascida assim (sem pecado). O papa Pio IX, tendo em vista que já era uma verdade professada na Igreja, proclamou este dogma no dia 8 de dezembro de 1854. Por ser Mãe de Jesus Redentor e, por isso, co-Redentora junto com ele, Maria foi preservada de todo pecado, inclusive do pecado original. A solenidade imaculada conceição de Maria é celebrada no dia 8 de dezembro.

    O dogma da assunção de Nossa Senhora professa a fé no fato de que Maria foi assunta ao Céu, isto é, elevada ao Céu. Significa que Maria foi elevada de corpo e alma à Glória do Céu pelo poder de Deus. Este dogma foi proclamado no dia 1 de novembro de 1950; é, portanto, o mais recente. Maria, Mãe de Deus, Virgem e Imaculada foi elevada ao Céu de corpo e alma: este dogma está muito ligado aos outros e confirma a grandeza da dignidade de Maria. A solenidade da Assunção de Nossa Senhora é celebrada no dia 15 de Agosto.

    Todos estes dogmas de Maria confirmam a fé da Igreja naquela que mereceu ser venerada de forma singular. Por ser a Mãe do Filho de Deus, Maria foi proclamada Mãe de Deus, Virgem, Imaculada e Assunta ao Céu, onde todos esperamos estar um dia. Os dogmas de Maria nos animam no caminho rumo ao Céu. A devoção à Maria deve render a ela toda a veneração que ela merece, mas sem perder de vista que ela é criatura como nós. Por fim os dogmas de Nossa Senhora revelam quão digna é Maria por ter aceitado o chamado de Deus para ser a Mãe de Jesus, o Salvador. Também é um convite a cada um de nós para procurarmos assemelhar cada vez mais a ela e assim merecer o Céu.

José Antônio Ramos, seminarista do 4º ano do curso de teologia
Seminário Maior “Dom José André Coimbra” de Patos de Minas.

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