segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pecado e Reconciliação

    Deus é infinitamente bom e amável. Na essência de Deus está a relação do amor, que faz as três pessoas divinas subsistirem eternamente em comunhão de vida. “Em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, encontram-se Vida, alegria e comunhão sem fim” (YC 285). Mais ainda, Deus é o bem em si e a vida em si e, como diz o evangelista São João, “Deus é Amor” (1 Jo 4,16). E por isso quem conhece a Deus sempre ama, faz o bem e tem a vida, pois está unido a Deus que é Amor (Jo 4,8).

    Se Deus é o amor, o bem e a vida, Ele é também o principio da vida e de todo bem, porque o amor só gera o bem e a vida. Porque então existe o mal, o pecado e a morte? Assim como não sabemos quando e como teve começo a vida, não sabemos quando iniciou o mal, o pecado e a morte: é um mistério sombrio e doloroso (YC 51). Uma coisa é certa: Deus não é o autor do mal, pois Ele é infinitamente bom e criou todos os seres bons (Gn 1,31; 2, 27). A explicação se faz melhor no plano existencial: “O cerne do pecado é a rejeição de Deus e a recusa de aceitar o Seu amor. Isto se revela no desdém pelos seus mandamentos” (YC 67). A origem do pecado está ligada com a desobediência do homem a Deus, que é o sustento de sua vida. Diz o papa Bento XVI que todos carregamos dentro de nós uma gota do veneno daquela forma de pensar apresentada nas imagens do livro do Gênesis: a falta de confiança em Deus, a suspeita da sua bondade e seu amor, a recusa de receber de Deus a existência e a plenitude da sua vida; confia na mentira e precipita sua vida na morte (cf. YC 68).

    Mas o mistério do mal, do pecado e da morte se torna mais claro quando consideramos o mistério da Vida em Jesus Cristo. Mesmo sabendo que a consequência do pecado é a morte (Rm 6,23), confiamos que “onde abundou o pecado superabundou a graça” (Rm 5,20). Diz são João: Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não perca, mas tenha a vida. Jesus assumiu em tudo a natureza humana, menos o pecado. Por isso Ele pode, por sua encarnação, salvar o homem do pecado e da morte. Em Jesus somos 'divinizados', tornamos 'novas criaturas', filho e filhas de Deus. A consequência do pecado não é somente a morte, “A consequência do pecado é também a maravilhosa solidariedade de Deus, que nos envia Jesus como amigo e salvador. Por isso, o pecado original é também designado flix culpa (=feliz culpa): 'Oh ditosa culpa, que nos mereceu tão grande Redentor!' (Precôncio Pascal)” (YC 70).

    Enfim, Deus é o único que pode tirar um bem do mal. Ele ama infinitamente o ser humano criado à sua imagem e semelhança (Gn 1,26). Com o pecado o homem perde o paraíso, mas Deus lhe abre as porta do céu. Para fugir do pecado é necessário que o homem tenha abnegação e santidade de vida (cf. CIC 943). Na prática, isso significa desenvolver sempre a vida de oração, a meditação e estudo da Escritura e da doutrina da Igreja, participar com frequência da Eucaristia, procurar sempre fazer obras de caridade. Estas são práticas que nos fortalecem no caminho de Deus  e nos afastam do pecado. Não obstante, precisamos também estar sempre vigilantes e fugir de toda ocasião de pecado, pois somos constantemente colocados em prova. E se pecamos, não desanimemos, mas confessemos os nossos pecados, pois Deus é fiel e justo e perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça (1Jo 1,9).

Seminarista José Antônio Ramos

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