segunda-feira, 19 de março de 2012

A Páscoa de Jesus

    A páscoa é momento de alegrar, de “exultar”, de cantar como os anjos cantaram no nascimento de Jesus: Glória in excelcis Deo “glória a Deus no mais alto dos Céus” (Lc 2,14a). Essa alegria, que expressamos neste tempo litúrgico pela celebração pascal durante 50 dias, precisa estender também na nossa vivência do dia a dia. Nós ficamos durante toda a quaresma sem cantar o canto do “Glória” para cantá-lo com esplendor no Sábado Santo, a grande celebração da vigília pascal. A cada ano que passa é uma nova oportunidade que temos de renovar a nossa esperança de Salvação pelo Mistério Pascal de Cristo. Torna-se importante, então, conhecer o que realmente foi a páscoa de Jesus para vivermos melhor esta “páscoa” em nossas vidas.

    Jesus era um judeu e viveu os costumes judaicos, mas renovou e deu um novo sentido à páscoa judaica. Na noite da quinta-feira próxima à páscoa dos judeus Jesus tomou o pão, deu graças, parti-o e lhes deu, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós”. Fazei isto em memória de mim. Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue que é derramado por vós”. (Lc 22,19-21). Com este gesto Jesus se oferece como cordeiro para o sacrifício no lugar dos cordeiros que eram imolados na páscoa judaica. Assim, Jesus oferece um sacrifício a Deus uma vez por todas e por todos (realizando uma redenção eterna), não sendo mais necessários os sacrifícios de touros e bodes (Hb 9,12).

    A páscoa dos judeus era celebrada como memória da libertação da escravidão do Egito, da “passagem” de escravos para um povo livre. Esta celebração acontecia no primeiro mês do ano, chamado de Nisan, que seria situado entre os meses março e abril do nosso calendário. Esta celebração está relatada de forma solene no livro do Êxodo (Êx 12, 1-14). No dia 14 de Nisan era imolado o cordeiro da páscoa. O evangelista São João nos diz que Jesus foi sacrificado na cruz no mesmo dia (Jo 19,14). Jesus dá assim um novo sentido à páscoa judaica e nos faz passar pela sua páscoa - paixão, morte e ressurreição - da condição de escravos do pecado para a condição de filhos e filhas de Deus, libertos do pecado e da morte (morte eterna).

    Ao oferecer tão grande sacrifício para a salvação da humanidade, Cristo nos deixou também um grande exemplo: o de como celebrar este sacrifício. Cristo, sendo ele Deus com o Pai e o Espírito Santo, antes de se entregar na cruz mostrou aos seus discípulos como deveria ser a atitude deles, pois seriam os novos “mestres do Amor” como Jesus o foi. O exemplo referido é o que está no capítulo 13 do evangelho de São João. É um texto belíssimo e intitulado “o lava pés”. Este texto, que é proclamado todos os anos na quinta-feira Santa, relata que Jesus, ao aproximar a festa da páscoa, lava os pés dos discípulos. É um gesto de total despojamento, pois lavar os pés naquela época era função dos escravos. Desta forma, ele deixa um maravilhoso exemplo de humildade e convida a cada um de nós a fazer o mesmo, para assim termos comunhão com ele.

    Sendo assim, este tempo tão importante para vida da Igreja é um momento especial de aprofundar a nossa relação com Deus. Viver bem a páscoa é vive-la seguindo o exemplo de Cristo. Procurar cada vez mais se identificar com Cristo, sendo humilde, aceitando passar a paixão - às vezes até a morte pelas fortes renúncias que somos chamados a fazer - é um caminho sábio para também ressuscitar com cristo. A páscoa de Jesus implica três momentos - paixão, morte e ressurreição; assim também deve ser a nossa. Esta é a nossa esperança como diz São Paulo: “se morremos com Cristo, cremos que também ressuscitaremos com ele” (Rm 6,8). Os capítulos 19, 20 e 21 do evangelho de São João é um belo relato do mistério pascal, o qual será proclamado na semana Santa. Poderia então ser lido, relido e meditado para irmos já preparando bem a nossa páscoa, que é a mesma páscoa de Jesus.

    Vê-se, pois, que pela páscoa de Jesus voltamos à nossa condição original, de Santidade e Justiça, perdida com o pecado original. Viver bem a páscoa de Jesus é um grande meio de aumentar a intimidade com ele e, por consequência, conservar a vida que temos Nele. Este é um tempo de muita alegria para nós, mas é também um tempo de comprometimento e de oração. Vivendo bem este tempo, a graça que recebemos no sacramento do Batismo e que alimentamos com os outros sacramentos, especialmente a Eucaristia, fortificamos ainda mais a nossa comunhão com Deus. E aquele que permanecer na comunhão com Jesus terá como recompensa a alegria completa, ou seja, a vida eterna (cf. Jo 15, 11; Jo 6,40;).

José Antônio Ramos
Seminarista do 4º ano do curso de Teologia do seminário Maior
“Dom José André Coimbra” da Diocese de Patos de Minas.

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