terça-feira, 18 de outubro de 2011

As Vocações Especiais

    Prezados paroquianos da Paróquia Sta. Terezinha, achamos conveniente dar continuidade ao tema do nosso artigo do mês passado: a “Vocação”. Desta vez, vamos falar das vocações específicas. Todos nós somos chamados a uma vocação específica: vocação consagrada (Padres, freis, freiras), vocação matrimonial, etc. E, somente vivendo livremente a resposta a este chamado vocacional, podemos saciar o desejo de felicidade colocado em nosso coração pelo criador. A vocação é sempre iniciativa de Deus.


    Geralmente, por causa da fraqueza humana, a pessoa que é chamada resiste ao chamado de Deus. Na Bíblia temos várias passagens em que isto é evidente: aquele que é chamado se sente incapaz de realizar a missão a ele confiada, tendo medo dela, tentando subtrair-se, fugir, esquivar-se. Este é o caso de Moisés (cf. Ex 4, 1-10), de Elias (1Rs 19,3) de Jeremias (Jr 1,7-8) e muitos outros personagens bíblicos. Mas a pessoa sempre se submete à vontade de Deus, pois Deus sempre o atrai, como no caso de Amós (cf. Am 3,8; 7,14-15). A partir da tomada de consciência da sua vocação, a pessoa é transformada e vive somente em função de seu cumprimento. Esta transformação acontece aos poucos, pois a vocação, como experiência inicial e fundamental do chamado, deve tornar-se uma fidelidade permanente capaz de superar os obstáculos: mesmo os grandes profetas, até Jesus, experimentaram dificuldades. Basta pensar no desencorajamento de Elias (cf. 1Rs 19,3-4); nos sofrimentos de Jeremias (cf. Jr 20,14-18), na hora do Getsêmani de Jesus (cf. Mt 26,36; Lc 22,39-44). Nesses momentos, é a vocação inicial (“o Sim”) e a promessa de Deus (“eu estarei contigo”) que sustenta o escolhido e o faz prosseguir fielmente pelo caminho. Muitas vezes, a vocação é uma caminhada na qual se conhece o ponto de partida, mas que não se sabe aonde vai levar.


    Gostaríamos de fazer aqui uma referência particular a uma vocação específica muito importante: a vocação ao matrimonio. É a partir do matrimônio que podem surgir todas as outras vocações.


    O matrimônio é a vocação que, podemos dizer, é vivida pela maioria das pessoas. O fundamento desse sacramento é o amor que une duas pessoas para a comunhão de vida e a busca da santidade para ambos. Desde o antigo testamento os profetas já falavam da necessidade da fidelidade do povo de Israel a Deus em comparação com a fidelidade que deve reinar no matrimônio: “Eu te desposarei a mim na fidelidade e conhecerás Yahweh” (Os 2,22;). Jesus elevou o matrimônio à condição de sacramento (cf. Mt 19,1-9; Mc 10,1-12) e São Paulo fala da grandiosidade deste sacramento fazendo uma analogia do mesmo com a relação de Cristo com a igreja: “É grande este mistério: refiro-me à relação de Cristo com a sua Igreja. Em resumo cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo e a mulher respeite o seu marido” (Ef 5,33). A vida matrimonial necessita de uma compreensão clara do sacramento do matrimônio e da sua dignidade. Diante das dificuldades que podem surgir na vivência matrimonial somente a fé fundamentada no Amor de Cristo poderá vencê-las.


    Em resumo, todas as vocações precisam ser fundamentadas no Amor de Cristo. A vocação é um chamado para o serviço a Deus e ao próximo e só se realizará autenticamente se for uma doação. Assim, a exemplo de Cristo, somos chamados a doar a vida, o que pode nos exigir sacrifício, mas sabemos que é nesta vocação que está a nossa realização. Como Cristo venceu o pecado e a morte pelo amor, também nós pelo amor podemos vencer as provações que nos querem desviar do caminho de Deus e nos conduzir ao pecado e à morte.


    Diante dos desafios atuais na vivência das vocações não podemos nos desanimar, mas avivar ainda mais a nossa fé e dar o nosso testemunho. Aquele que permanece ligado a Jesus Cristo por meio do Sacramento da Eucaristia, da Escuta da Palavra, seja nas celebrações ou na leitura e meditação pessoal da Escritura, da vivência diária da prática da Caridade, vencerá as tribulações e experimentará a alegria da vida no encontro pessoal com Cristo. Então, que busquemos todos os meios que nos façam ter um verdadeiro encontro com Cristo.


    José Antônio Ramos, seminarista do 3º ano de Teologia
do Seminário Maior “Dom José André Coimbra” de Patos de Minas.

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