sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Espiritualidade no Matrimônio

    “A família permanece uma instituição social que não pode nem deve deixar de existir: é santuário da vida” (Beato João Paulo II).

    A espiritualidade do matrimônio surge como uma realidade natural e muito existencial. Não são somente os casais cristãos que são chamados a viverem a espiritualidade do matrimônio, pois ela deriva da própria existência humana. O ser humano é chamado por sua própria natureza à comunhão de vida e à perpetuar a espécie (Gn 1,28; 8,17; 9,1). A espiritualidade conjugal deve ser vivida na entrega total e para sempre que exige o amor conjugal (1Cor 16,14; Ef 5,2; 1,9; 2,1; 2,2; FC13).

    A relação conjugal se caracteriza por três aspectos principais: duas pessoas que permanecem em sua identidade, a união corpórea em 'uma só carne' e a oposição física dos sexos. São duas pessoas totalmente diferentes em todos os aspectos - físico, psíquico e espiritual - que são chamados a viver em harmonia sem uniformizar nem dividir. Assim, é inegável que para tal relação seja frutífera é necessário o amor e o amor semelhante ao que Cristo amou a Igreja (cf. Ef 5,21-33). De certa forma, todo cristão é chamado a amar o próximo como Cristo amou a Igreja. Mas, no matrimônio o amor dos esposos se assemelha ao de cristo que assumiu livremente a condição humana em tudo, menos no pecado. Também no matrimônio, os esposos fazem o consentimento livre para se entregarem mutuamente, total e para sempre.

    Assim, a relação matrimonial exige um amor recíproco e não dá espaço para fingimento: ou se ama e se doa ao outro no respeito mútuo ou não se ama. Amor e doação no matrimônio sempre vão juntos. O amor na relação matrimonial é como o combustível de um automóvel: se faltar não dá para continuar o caminho. O amor conjugal tem a característica singular da reciprocidade. Ele exige a entrega integral da pessoa - corpo, alma, espírito - e que seja indissolúvel, fiel e fecundo (cf FC 13). O amor conjugal aproxima, por analogia, ao amor que reina na trindade santa (cf.Cl 2,2; CIC 1604).

    No matrimônio cristão a espiritualidade do matrimônio é vivida em unidade com a espiritualidade cristã: brota dela e leva à sua realização na vocação matrimonial. Mas o que é espiritualidade cristã? A espiritualidade cristã é a vida segundo o Espírito (Rm 8,5-9; Gl 5,16-23; 6,21;6,8), vivida em comunhão com Deus, no seguimento de Cristo e concretizada na comunidade e na vida cotidiana. O Espírito santo, que é guia do Povo de Deus, é que inspira uma forma de vida segundo a vontade de Deus. Ele atua no interior da Igreja para que os batizados conformem sua vida à de cristo ressuscitado (CIC 1197 e 1265). São Paulo afirma: “Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o Espírito apreciam as que são do Espírito” (Rm 8,5).O matrimônio cristão deve ser vivido segundo o espírito buscando as coisas do alto, como também diz o apóstolo (Cl 3,1).

     O pecado fez com que a criação ficasse comprometida e começou a surgir a desordem, a maldade, a dor, o sofrimento, a morte; fez com que o homem e a mulher não se vissem mais como bons, puros e cheios da graça, surgindo a desordem na relação (cf. 3,16-19). Mas Deus, que é misericordioso, não deixou o homem na miséria. Ele veio ao seu encontro (cf. Gn3,9; Rm 9,23;11,31;15,9), apesar de não poder forçá-lo ao retorno. O próprio homem é chamado à conversão, por meio da reconciliação trazida em Cristo, que morreu por nossos pecados. No matrimônio, a conversão se faz na vivencia do dia a dia pelo perdão mútuo dos cônjuges e pelo sacramento da reconciliação (Rm 5,11;11,5, 2 Cor 5,18-19).

    “A salvação da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligada com uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar” (GS n. 47).

Seminarista José Antônio Ramos

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